Domingo, 19 de Dezembro de 2010

Quando na vinda para casa viraste num atalho que não era o normal. Quando me olhaste pela primeira vez com esse olhar e me disseste : sua puta vadia, fazes-te assim aos outros? És só minha. Só minha. E eu desesperei e chorei. Porque? Eu não tinha feito nada. E pedi desculpa. E começaste a rir na minha cara. Disseste que eu era uma vadia, oferecida. E sabias bem que não, só te tinha a ti.

E depois abriste a porta do carro e num instante abriste a minha também e puxando-me pelos cabelos tiraste-me do carro. Em que estavas a pensar? Diz-me?

Atiraste me ao chão e esbofeteaste-me. Depois disseste que eu não prestava, que me oferecia em mil sorrisos aos teus amigos universitários, e quando eu reparei, já estava nua e tu, possesso em cima de mim, violaste-me. É um termo que se pode aplicar? Afinal éramos namorados. Violação existe em regime de namoro?

Não sei. Sei que todos os ensinamentos que tinha de defesa pessoal se esbateram. Como fugir de ti? Não dava, não dava,  eu merecia aquilo. E na altura não compreendi. Acho eu que não.

Tentei esmurrar-te, pontapear-te, enfiei as minhas unhas na tua pele e cada vez insistias com mais força. Cada vez me magoavas mais. Eu chorava, eu suplicava e tu nada. Até ao ponto em que eu desisti. Deixei. Já não valia a pena.

Quando acabaste o teu serviço. Vestiste-me e levaste-me para o carro. Disseste exactamente assim: meu amor, não tens que contar a ninguém, isto é o que os papás fazem para terem bebés, mas os papás fazem com calma e amor, não assim. Assim fazem os chulos com as putas. Que é o que tu és. A minha puta. E, sabes, meu amor, eu vim-me dentro e fora de ti. Se engravidares será mais uma prova do nosso amor. Agora põe um sorriso na cara bebe, e limpa o sangue e a poeira da cara e vamos para casa.

E eu, morta, obedeci.



publicado por naná às 14:10 | link do post | comentar

28 comentários:
De Rita. a 19 de Dezembro de 2010 às 14:24
meu deus, até me assustei antes de ver o tag :x


De summer wright a 19 de Dezembro de 2010 às 16:08
somos duas. mas adorei.


De naná a 19 de Dezembro de 2010 às 18:21
pois:)
era quase que essa a intenção. tirando o susto:)


De mag. a 19 de Dezembro de 2010 às 14:25
:O
credo, está tão...
enquanto lia fiquei mesmo comovida :S
está horrível pelo facto como se passa a história mas gostei bastante
(difícil de encontrar as palavras :$)


De naná a 19 de Dezembro de 2010 às 18:22

pois. este texto não é totalmente ficticio. mas é uma realidade presente:)
obrigada,:)


De Effy_Edwards a 19 de Dezembro de 2010 às 14:28

Oh god...que texto. *o* 
A história é demasiado horrível e triste....Mas adorei. Está espectacular. 


Beijinhos^^


De naná a 19 de Dezembro de 2010 às 18:22
obrigada:)
é bom causar sensações.


De C. a 19 de Dezembro de 2010 às 14:28
Um destes dias faço um post que vai ser parecido com este, mas não ficticio :x


De naná a 19 de Dezembro de 2010 às 18:23
este também não é todo ficticio. no texto a violação foi consumada. é uma das poucas diferenças:)
beijinhos, e espero por ler.


De mara. a 19 de Dezembro de 2010 às 14:29
aish, ainda bem que é ficticio.
meu deus, mesmo forte.
mas adorei *-*
obrigada querida <3


De naná a 19 de Dezembro de 2010 às 18:23
obrigada:)


De mudou a 19 de Dezembro de 2010 às 14:30
que cabrão!
mas gostei muito, como sempre.


De naná a 19 de Dezembro de 2010 às 18:23
obrigada:)
é um cabrão, mas há muitos assim, por aí:)


De AF a 19 de Dezembro de 2010 às 15:20
são palavras mesmo fortes. até me senti mal em ler, quando vi o tag é que acordei.
tens mesmo jeito, tocaste-me com as tuas palavras.
este tema é daqueles que por mais que tentemos negar que existe, haverá sempre alguém que o conseguirá tratar com aquela delicadeza mas ao mesmo frontalidade necessária e tu conseguiste. a sério, está espectacular. :)


De naná a 19 de Dezembro de 2010 às 18:24
é verdade, e obrigada:)
gostei muito do teu comentário:)
beijinhos.


De narmy. a 19 de Dezembro de 2010 às 17:59
oh, fiquei tão assustada a ler este post. já to disseram mil vezes, mas fiquei tão aliviada quando vi o tag!
adorei, está tão directo e realista. não precisaste de muitos enfeites para tornar este texto bonito, e é de valorizar. por vezes acho que enfeito tanto o que escrevo que enjoa, mas tudo me sai assim repentino e não sei escrever de outra forma, e valorizo a tua maneira de escrever por ser simples e mesmo assim muito boa.


De naná a 19 de Dezembro de 2010 às 18:25
ainda bem:)
todos escrevemos de formas diferentes, e todos escrevemos bem:) . eu gosto de te ler, tens sempre uma riqueza inscrita em cada palavra:)
´beijinhoos.


De annesophie a 19 de Dezembro de 2010 às 18:06
és fantástico. tão realista, adorei.


De naná a 19 de Dezembro de 2010 às 18:25
merci*


De p. a 19 de Dezembro de 2010 às 18:07
Triste, uma cena de vida nada boa. Mas está demasiado bem escrito :')
Adorei querida!


De naná a 19 de Dezembro de 2010 às 18:25
muito obrigado, deixas-me com um sorriso:)


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