Sexta-feira, 23 de Novembro de 2012

quase no fim do primeiro estágio penso seriamente em tudo o que me passa pelas mãos, os que entram no serviço e saem de pé, os que saem por mãos de outros, e os que saem debaixo de lençóis.

a vida é ruim. é má, maquiavélica.

por muito que lavemos as mãos, a farda, o cabelo, o corpo, a morte vem connosco para casa.

por muito que o quarto seja lavado, trocado, desinfectado, o quarto continua a ser de quem morreu.

as almas caminham naqueles corredores, nas cadeiras sentam-se os mortos, e á porta ficam os vivos.

especados a olhar para o corpo que vai coberto por um lençol. os mais comovidos, mesmo que não relacionados choram, alguns desmaiam. outros pensam que quem vai debaixo do lençol é um dos seus.

é o terror, a morbida realidade e cruel da nossa existência.

vivemos até nos deixarem viver, deixamos de respirar, e nem sabemos quando devemos de dizer o último adeus. tentamos, e eu enquanto enfermeira, assisto incrédula ao derrame de lágrimas, aos abraços e condolências.

e o último papel, depois de tudo feito para sobreviver, é simplesmente tapar com um lençol.  e agir noutra vida.



publicado por naná às 00:51 | link do post | comentar

2 comentários:
De Mariella a 23 de Novembro de 2012 às 12:08
tudo se resume à morte.


De Desisti a 23 de Novembro de 2012 às 16:06
eu estou no 10º ano e até estou a gostar imenso de filosofia! 


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