Sábado, 31 de Março de 2012

 

 

Não sei quando me paixonei por ti. Não me recordo da primeira vez que te vi, da primeira vez que te olhei e te quis. 

 

Lembro-me do primeiro beijo, da primeira vez que te senti o sabor... E recordo-me tão em do teu calor. Da maneira como meaquecias por dentro, o que a vida esfriara. 

Foste um amigo nas horas da solidão, um companheiro depois do almoço. Recordo me de te olhar com estes olhos brilhantes e apaixonados, e te deixar sem jeito. Foste amor, foste paixão.
E eu gosto tanto de ti, depois de outros tantos ter provado, é de ti que me recordo quando a tristeza teima em vir. É a ti que eu culpo. 
Porque estiveste presente tão pouco tempo, mas tão intensamente. Porque me deixaste apaixonar por ti. Sem dó, sem piedade, sem razão e sem medida. 
Deixaste-me envolver contigo, para depois me ver de ti afastada. 
Como fraca que sou, eu volto sempre. Eu espero sempre por ti. Eu não penso senão em ti.



publicado por naná às 13:32 | link do post | comentar | ver comentários (4)

Domingo, 25 de Março de 2012

Estávamos na cama a falar. Falávamos em tons suaves quando queríamos mesmo eram discutir. Não tenho culpa de ter referido que te estava a roubar a possibilidade de teres filhos. É verdade amor, tens 39 agora e eu só tenho 17. Sabes bem que quero estudar, e uma gravidez não é adequada. Dizia eu sem te olhar nos olhos. Falaste em congelação de espermatozóides e afins. Mas nada me tira este peso do peito. Amor, depois vais ser pai na idade de seres avô. Ainda tens uma mulher que te aguarda e te quer. Uma mulher fértil e fecunda com amor para ti. Respondi-te gaguejando e chorando sangue. E tu lançaste eu não a amo. Chega para que a rejeite. E levantaste-te. Só tinhas os boxers mas mesmo assim, na noite fria gelada do Norte abriste a janela do quarto e fumaste um cigarro. Eu levantei-me da cama também. Vesti a tua camisa e saí porta fora. Fui ao fim do corredor e comprei café. Duplo para mim, simples para ti. Enquanto esperava escorreguei a parede fria e sentada no chão percebi que não te posso perder. Voltei ao quarto e estavas a chorar de cigarro na mão. Deixei os cafés na mesa e fui-te abraçar à janela. Não me respondeste. Não deixaste o cigarro. E só consegui exclamar: só tenho medo que te arrependas, porque não te consigo perder. Atiraste o segundo cigarro, intacto ainda, pela janela fora. Tomaste o meu corpo e abraçaste-me. Disseste que eu era a salvação dos teus dias. Beijaste-me e encostaste-me à varanda. Quanto gelo tinha eu. Os pés descalços no chão frio orvalhado, as costas desnudadas nas grades geladas pela geada. Olhaste-me os olhos e disseste que até de noite eu era bonita. E perguntaste: o que queres de mim? Eu disse à noite eu de ti? Quero-te a ti. Não sei se percebeste. Mas levaste-me para a cama outra vez. Beijaste-me como se eu fosse tão tua como sou minha, e, com a janela aberta possuíste-me outra vez pela noite fora. Acho que adormeci sobre o teu peito. Nua ainda, com a janela aberta. E vi que somos a cura perfeita para os nossos vícios. Eu que te abraço enquanto fumas, tu que me olhas enquanto tomo o café.



publicado por naná às 18:22 | link do post | comentar | ver comentários (13)

Quarta-feira, 7 de Março de 2012

a gente vai-se habituando à solidão..vamos querendo mais e mais a cama feita..a porta fechada..e as folhas em branco para escrevermos a nossa pacata vida. depois..há uma mudança, há um je ne sais quoi que se altera... e a rotina da solidão deixa de fazer sentido...é incrível quando nos habituamos a algo e logo a seguir temos que mudar. seja pelo que for. tantas as vezes que isso aconteceu na minha vida, e cada vez mais eu penso nisso. a morte do meu pai, as mudanças de casa, a minha turma...ou até o pequeno facto do café não ser mais o mesmo. coisas tão pequenas, ou tão monstruosas, mas que mudam tanto, que alteram tanto. e a rotina...vai mudando. deixa de ser rotina e passa a ser dia-a-dia, sempre moldável sempre diferente. o nosso corpo tenta habituar-se á mudança, o nosso cérebro tenta assimilar tudo isso..mas muda tudo mais uma vez. nova cidade, novas pessoas. um curso tão chato quanto fantástico. amigos novos tão incríveis...e mudamos tudo de novo...incrível como o nosso corpo se tenta habituar e não desiste. incrível como os nossos olhos ao fim do dia se fecham de cansaço, mas adormecemos com um sorriso. incrível...como a cada dia que passa aprendemos a amar aquilo que temos, a amar as pequenas coisas, a amar as pessoas, e a amar quem nos ama. talvez nada seja eterno, talvez a terra afinal não seja redonda, talvez matemática não seja difícil, talvez o amor não seja só para alguns seres especiais capaz de o ter e de o receber. certo é, que quando algum de nós a ele tem direito, tem o dever de o cuidar, de o manter e de o ter. e a solidão..essa resta perdida entre os lençóis, entre as manchas de choros na almofada...essa resta...como uma memória...um dissabor da vida.



publicado por naná às 16:27 | link do post | comentar | ver comentários (2)

mais sobre mim
Labrinth feat. Emeli Sande - Beneath Your Beautiful
arquivos

Abril 2013

Novembro 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Dezembro 2011

Setembro 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010