Quinta-feira, 20 de Janeiro de 2011

Tanta tristeza que me invade o peito sem pedir licença. Chega e apropria-se de mim. E eu deixo. Estou fraca, frágil e desprotegida. Já há algum tempo que não me abraçam e não me tentam abraçar. Já há algum tempo que não me olham nos olhos porque têm medo. Estou triste, confesso. Estou frágil. E eu não estou nunca frágil. E estou frustrada. Estou assim porque nada corre bem. Nada, nada. Tudo corre sempre mal. A escola, a vida, a família. Terei eu uma família? Acho que não. Não tenho nada. É isto que me dá a fragilidade, é não ter nada. E o que eu pedia? Um abraço só, e alguém que me dissesse que tudo vai correr bem. Mas engolir o meu orgulho e, baixar o meu forte de protecção e pedir um abraço? Não. Não peço. Não me importo. Eu estudo, e tiro notas de treta. Eu esforço-me com a minha mãe e ela continua a matar-me. Eu tento mesmo encaixar-me onde vivo, mas eu não pertenço aqui. Nunca pertenci. Já fiz uma mala, outra. Desde aí os meus oito anos que tenho uma mala no fundo do armário com bens essências, comida e roupa, e afins. Mas há dois anos percebi que não valia a pena, que eu nunca ia fugir. Então destruí-a. Mas não. Hoje voltei a fazê-la. Enchi-a de memórias, de complicações, de amores frustrados, de tristeza e guardei-a no fundo do armário. Mas nem isso resultou. Continuo triste e sentimentalmente morta. E eu, como não me reconheço assim, mais triste fico. E agora? Poderia chorar, mas nem as lágrimas colaboram comigo. Por isso, acendo este fósforo, acendo estas brasas, e ponho os meus pés em cima. Se tenho que passar pelo Inferno para ter um pouco de sorte e de bem-estar, fá-lo-ei rápida e dolorosamente. Amén.



publicado por naná às 19:55 | link do post | comentar

19 comentários:
De mag. a 20 de Janeiro de 2011 às 20:13
estás a deixar-me preocupada.
Lamento tanto ouvir isso, se pudesse eu mesma te abraçaria.


De narmy. a 20 de Janeiro de 2011 às 20:13

lamento a situação em que estás. se pudesse melhorar o teu estado de espírito, acredita que o faria. resta-me só esperar que melhores, e que trenhas sempre esperança.


De joe. a 20 de Janeiro de 2011 às 20:23
Vem cá que eu te abraço :D 
Mas vais ver que é apenas uma fase. E que isso tudo vai ficar bem (:


De summer wright a 20 de Janeiro de 2011 às 20:29
adorei o fundo e o texto. mas olha, eu dava-te um abraço, eu estou sempre a dar abraços. e rebuçados, que consolam. ser feliz está nas nossas mãos, sabes? é fácil falar, sim, mas se eu fosse ligar a tudo seria tão mais amarga!...eu tento sempre erguer o rosto e ter pelo menos um porto seguro. não desistas. 


De narmy. a 20 de Janeiro de 2011 às 20:42
a mim, filmes como este dão-me gana de viver e esperança, muita esperança. só o facto de ter havido alguém no mundo capaz de trilhar aquele caminho já é uma grande vitória.


De G a 20 de Janeiro de 2011 às 20:44
adoroo *-* 


De Catherine a 20 de Janeiro de 2011 às 20:47
ahah é uma boa definição (:


De Constança a 20 de Janeiro de 2011 às 21:04
sim, isto aconteceu-me :s


De J. a 20 de Janeiro de 2011 às 21:13
não peças o abraço, eu sentiria que to daria, só por observação
e «rezemos» o teu ámen, naná, juntas, como tantas outras amizades, esta aqui que estou agora a oficializar (: tudo para te dar um «segundo café»
<3


De lostdreams a 20 de Janeiro de 2011 às 21:19
obrigada. :)
beijo


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