Quinta-feira, 19 de Abril de 2012

Ainda hoje me questiono a quem escrevi tantas cartas de amor, naquelas folhas espalhadas, nos recantos da agenda…nas sebentas de anatomia. Vim para a universidade com o peso na consciência de que tinha deixado para trás um grande amor. A verdade é que a distância cura mais que o tempo. Graças a deus que assim é…

Hoje quando leio as cartas, as folhas escondidas, os desabafos no meu mini diário…nunca sei para quem escrevi tais palavras. Posso orientar-me pelas datas, pelos meses, ou até pelas iniciais… mas nunca sei para quem verdadeiramente foram. É assim o amor, ainda que insignificante, imaturo e rebelde. Não tive muitos amores nesta vida, que minha proclamo.

Tive o meu primeiro amor, que no momento que o tive, foi quando compreendi o que é o amor, o que é o verdadeiro amor. Não sei se foi correspondido, mas como não lhe posso questionar, deixo essa questão para as estrelas, e para a lua, que tantas vezes brilhavam sobre nós. Iluminando a minha boca de encontro à sua, quando me tapava os olhos de furioso. Nunca percebi como aquilo poderia ser amor, mas foi amor. Foi amor porque ainda hoje sinto a sua falta. E ainda hoje não sei o que quero dele, se o quero voltar a amar, se o quero desprezar, ou se quero continuar assim. Assim como ele me deixou, “é a última vez que nos vemos”. E não foi, teve outra vez… mas depois, é necessário tomar uma atitude. E o que eu fiz, foi caminhar em frente sem olhar para trás… e por causa disso, ainda resta hoje a questão, que me acompanha todo o santo dia, “será que me amaste alguma vez?”.

E depois, quase um ano após a ferida tentar cicatrizar, e a faca permanecer no coração, encontrei um novo amor. Este era jovem, não velho como o outro, era baixo também, e era loiro. É das características dele que mais me fizeram ficar de pé atrás.

Loiros…se eu não confio em mim, que loira sou, não posso confiar nele que loiro é.

Mas amei-o. Sei que o amei porque olhei-o nos olhos um dia e soube que era com ele que eu queria estar. Mas nem tudo são rosas, e este loiro tramou-me, como eu já esperava. Mas, ainda assim foi doloroso. Ter virado costas porque precisava de um tempo… e eu? Não tenho direito ao meu tempo? Mas eu deixei-o ir. E não mudei de lugar, eu queria que ele voltasse. Pois já uma vez errei, e não quero repetir.

A verdade é que voltou. Instável, rebelde, livre, voltou sem brilho nos olhos, sem carinho, sem vontade de fazer amor, voltou para mim vazio. E pronto. Foi a deixa, a deixa para que eu lhe fechasse o meu coração e eu me tornasse naquilo que melhor sei fazer, levar os homens á loucura, e depois sair da vida deles. Mas espero, desta vez, não ser confrontada com o meu próprio veneno.

E finalmente poder glorificar o meu coração, que coitado, está fechado entre o sistema circulatório e o digestivo, nos livros de anatomia, onde pela última vez eu escrevi “não vou desistir de ti.”



publicado por naná às 01:12 | link do post | comentar

1 comentário:
De Mariana a 19 de Abril de 2012 às 20:04
já tinha saudades tuas...


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